Pesquisa revela impactos da exposição de mulheres ao amianto

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Estudo analisa como as desigualdades de gênero influenciaram a exposição ocupacional, a sobrecarga de trabalho, o adoecimento e o acesso das mulheres à saúde.

O artigo “Invisíveis no trabalho e na saúde: exposição ocupacional de mulheres ao amianto na região de Pedro Leopoldo-MG, Brasil”, considerando as desigualdades de gênero, a sobrecarga de trabalho, o adoecimento e as dificuldades de acesso à saúde. A pesquisa integra o Dossiê Desenvolvimento Sustentável e Trabalho, publicado no volume 50 da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO).

O estudo entrevistou 12 mulheres expostas ao amianto, entre outubro de 2021 e junho de 2022. A maioria tinha entre 60 e 70 anos, ensino fundamental completo e estava aposentada. Os relatos revelaram exposição no trabalho e no ambiente doméstico, falta de informação sobre os riscos do mineral, dificuldades de acompanhamento médico e responsabilidades de cuidado com familiares.

Entre as participantes, foram identificados um caso de placas pleurais e um de asbestose. Duas mulheres estavam em investigação oncológica, enquanto sete não tinham diagnóstico nem estavam sendo investigadas. Também foram relatados casos de câncer de tireoide, abortos e alterações menstruais, mas o estudo ressalta que não há evidências suficientes para estabelecer relação causal com o amianto. Esses registros indicam a necessidade de novas pesquisas.

As mulheres foram consideradas triplamente expostas: nas fábricas, ao lavar as próprias roupas contaminadas e ao cuidar das roupas dos companheiros que trabalhavam na indústria. As pesquisadoras Eliana Guimarães Felix, Luciana Gomes e William Waissmann informam que as trabalhadoras também enfrentaram uma tripla sobrecarga, composta pelo trabalho industrial, pelas tarefas domésticas e pelos cuidados com a saúde da família.

Desigualdade e trabalho de cuidado

O artigo relaciona a invisibilidade dessas trabalhadoras à divisão sexual do trabalho. Mesmo adoecidas, muitas continuaram responsáveis pelo cuidado de companheiros e parentes, sem receber assistência adequada para a própria saúde.

As autoras defendem políticas de saúde que considerem o histórico de exposição e as desigualdades entre homens e mulheres. A perspectiva de gênero deve estar presente na atenção integral à saúde da mulher e nas ações destinadas a setores industriais historicamente ocupados por homens.

O estudo conclui que a divisão sexual do trabalho influencia as relações profissionais e familiares. Embora as mulheres assumam grande parte das responsabilidades de cuidado, nem sempre recebem a assistência necessária quando a própria saúde é afetada.

A pesquisa defende a retirada segura do amianto, a proteção dos direitos trabalhistas, civis e ambientais, o acompanhamento das pessoas expostas e políticas públicas de saúde que considerem o histórico de exposição e as desigualdades de gênero.

Fonte: https://www.gov.br/fundacentro/pt-br/comunicacao/noticias/noticias/2026/agosto/pesquisa-revela-impactos-da-exposicao-de-mulheres-ao-amianto

Texto: Débora Maria Santos

Imagem: Inteligência Artificial – IA e retoques feito no Canva.