Ler/Dort em trabalhadores de empresas logísticas de entrega

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Conscientização no Dia Internacional de Combate às LER/DORT

O Dia Internacional de Combate às LER/DORT, celebrado em 28 de fevereiro, é uma data dedicada à conscientização sobre as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) — doenças ocupacionais que afetam milhões de trabalhadores no mundo, especialmente em setores com alta repetitividade e esforço físico, como o ramo de logística e entrega.

No contexto das empresas de transporte, armazenagem e distribuição, a LER/DORT é um dos principais fatores de afastamento previdenciário, redução de produtividade e aumento de custos com saúde ocupacional.

Objetivo

Promover informação técnica e educativa sobre a LER/DORT em trabalhadores de empresas logísticas de entrega, reforçando a importância da prevenção, da ergonomia e da cultura de segurança no ambiente corporativo

Finalidade da Data

A data tem como finalidade:

  • Conscientizar trabalhadores e empregadores sobre riscos ergonômicos;
  • Estimular políticas de prevenção;
  • Reduzir afastamentos por doenças ocupacionais;
  • Promover ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.

 Quando surgiu o Dia Internacional de Combate às LER/DORT?

O movimento teve origem na década de 1990, com forte mobilização sindical e de entidades de saúde ocupacional na Austrália, país onde houve grande incidência de casos de LER em trabalhadores da indústria e do setor administrativo.

Posteriormente, a mobilização ganhou força na Europa e América Latina, consolidando o 28 de fevereiro como marco internacional de combate e conscientização.

No Brasil

No Brasil, a data passou a ser amplamente divulgada a partir dos anos 2000, com o fortalecimento das políticas de saúde ocupacional vinculadas ao Ministério da Saúde e ao INSS.

A LER/DORT está oficialmente reconhecida como doença ocupacional, podendo gerar:

  • Afastamento previdenciário;
  • Emissão de CAT;
  • Aposentadoria por invalidez;
  • Ações regressivas do INSS contra empresas negligentes.

Impactos da LER/DORT na Saúde dos Trabalhadores da Logística

Empresas de logística e entrega possuem fatores de risco elevados:

  • Movimentação manual de cargas;
  • Repetitividade em separação de pedidos;
  • Digitação constante em sistemas;
  • Direção prolongada;
  • Uso contínuo de coletores de dados.

 5 Impactos pouco percebidos pelas empresas:

  1. Redução silenciosa de produtividade (queda de rendimento gradual);
  2. Erros operacionais frequentes devido à dor e fadiga;
  3. Aumento do absenteísmo intermitente (atestados curtos e recorrentes);
  4. Clima organizacional prejudicado;
  5. Rotatividade elevada por incapacidade física progressiva.

Como isso prejudica a produção e a vida dos colaboradores?

Para a empresa:

  • Queda de desempenho operacional;
  • Aumento de custos com substituições;
  • Elevação do FAP (Fator Acidentário de Prevenção);
  • Processos trabalhistas.

Para o trabalhador:

  • Dor crônica;
  • Limitação funcional;
  • Problemas psicológicos (ansiedade e depressão);
  • Perda de renda variável;
  • Impacto na vida familiar.

Como identificar a LER/DORT? (3 exemplos práticos)

  1. Queixas frequentes de formigamento ou dormência nas mãos;
  2. Dor persistente nos ombros ou punhos após jornada;
  3. Redução da força de preensão ou dificuldade em segurar objetos.

Impacto Financeiro da LER/DORT nas Empresas

Segundo dados públicos do INSS, as doenças osteomusculares estão entre as principais causas de afastamento no Brasil.

Estimativas médias no setor logístico indicam que:

  • Um trabalhador afastado pode gerar custo mensal indireto entre R$ 3.000 e R$ 8.000 (salário, substituição, encargos e perda produtiva);
  • Empresas médias podem ter impacto anual superior a R$ 300 mil a R$ 1 milhão, dependendo do número de afastamentos;
  • Planos de saúde empresariais sofrem reajustes médios entre 15% e 25% quando há alta sinistralidade por doenças osteomusculares.

No Brasil, bilhões de reais são gastos anualmente com benefícios previdenciários relacionados a LER/DORT.

A LER/DORT atinge apenas a Logística?

Não.

A LER/DORT impacta diversos setores:

  • Indústria metalúrgica;
  • Call centers;
  • Bancos;
  • Construção civil;
  • Setor hospitalar.

Impacto geral:

  • Redução do PIB produtivo;
  • Aumento de despesas governamentais;
  • Judicialização crescente.

O que pode ser feito para reduzir o risco?

Medidas simples e funcionais:

  • Implantação de pausas programadas;
  • Rodízio de função;
  • Treinamento ergonômico;
  • Avaliação ergonômica periódica;
  • Ginástica laboral estruturada.

 Ações Preventivas por Prazo

 Curto Prazo (Resultados Imediatos)

  1. Realizar análise ergonômica preliminar;
  2. Implementar pausas técnicas;
  3. Ajustar altura de bancadas e cadeiras.

Benefício: redução rápida de queixas.

Médio Prazo

  1. Implantar rodízio estruturado;
  2. Treinamento contínuo;
  3. Monitoramento médico periódico.

Benefício: diminuição de afastamentos.

 Longo Prazo

  1. Investimento em automação;
  2. Cultura organizacional forte em SST;
  3. Indicadores de ergonomia integrados ao planejamento estratégico.

Benefício: redução expressiva de custos e aumento de produtividade.

 Erros Mais Comuns nas Empresas

  • Ignorar queixas iniciais;
  • Focar apenas em EPI;
  • Não realizar AET (Análise Ergonômica do Trabalho);
  • Priorizar produtividade acima da saúde;
  • Falta de monitoramento de indicadores ergonômicos.

Por que as empresas negligenciam?

1. Falta de conhecimento técnico

Gestores não reconhecem sinais precoces.

2. Falta de investimento

Ergonomia ainda é vista como custo e não investimento.

3. Omissão estratégica

Algumas empresas agem apenas após fiscalização ou processo judicial.

De quem é a responsabilidade?

A responsabilidade é compartilhada:

  • Empregador: garantir ambiente seguro (conforme NR-17);
  • Gestores: aplicar medidas preventivas;
  • Trabalhadores: seguir orientações e comunicar sintomas;
  • Poder Público: fiscalizar e promover políticas de prevenção.

Negligenciar a ergonomia não é apenas falha técnica — é risco jurídico, financeiro e humano.

Conclusão

A LER/DORT nas empresas de logística e entrega é um problema silencioso, porém altamente impactante. O Dia Internacional de Combate às LER/DORT reforça a necessidade de transformação cultural dentro das organizações.

Investir em ergonomia não é custo: é estratégia de sustentabilidade, produtividade e responsabilidade social.

Empresas que promovem saúde ocupacional fortalecem sua marca, reduzem passivos trabalhistas e constroem uma cultura sólida de segurança.

Texto: Antonio Lopes

Imagem: Inteligência Artificial – IA